sábado, 21 de novembro de 2009

Pink Floyd - Is There Anybody Out There? The Wall Live 1980/81

There Anybody Out There? The Wall Live 1980/81
Symphonic Rock
sony
2000



"acabou? richard wright morreu. o fato de não haver um fim oficial por parte de gilmour, mesmo após a morte do tecladista, mantem a chama acesa e quem sabe vir a ouvir um real the final cut, um último ato, porque pink floyd faz mais do que música, faz sinfonia. the wall, atom heart mother, the dark side of the moon, wish you were here ou animals não são álbuns clássicos, são obras antologicas, cuja missão é uma só: renovar gerações! ouvir the wall live é voltar trinta anos no tempo, um sonho mágico que aperta o coração pela vontade de ter estado lá. a imaginação não conforta. acabou? não! pink floyd é uma griff enigualavel, um estilo."
(Julia valentine , "eu comprei esse disco em 2001")


Sim Roger, estou aqui!! A Brazilian is growing a tree e isso não é um milagre, posso te assegurar! Milagre foi, depois de 20 anos de espera, ter em minhas mãos a edição oficial desse documento sonoro que foi, sem dúvida alguma, o maior espetáculo do Rock-Teatro de todos os tempos: The Wall Live!

Is There Anybody Out There? retrata soberanamente, e com uma qualidade sonora digna das mais modernas técnicas de gravação ao vivo, uma compilação das melhores músicas apresentadas nos shows de Earls Court, entre os períodos de 4 a 9 de agosto de 1980 e 13 a 17 de junho de 1981.

Para começar a minha resenha, apresento duas pequenas reclamações concernentes a este lançamento oficial. A primeira é pelo fato de terem cortado, ao menos pela metade, a participação do mestre de cerimônias, aquele sujeitinho que anuncia a chegada da banda. Sua participação insólita traz um clima cômico no início do espetáculo, quebrado abruptamente pela velocidade e intensidade da In The Flesh. Na minha opinião, o show já tinha começado com o mestre de cerimônias... A partir da In The Flesh, em sua importante entrada, marca-se a seriedade que será apresentado o tema central do espetáculo (o show propriamente dito foi uma das obras mais maravilhosas do Rock’n’Roll). Minha segunda, e quem sabe, insignificante reclamação foi não poder ter a chance de sentir a emoção do pós-show. Eles poderiam ter deixado registrado oficialmente alguns minutos da ovação dos espectadores após o término do espetáculo! Isso nos daria a impressão de estar lá, (re)vivendo aquele momento sublime, de ter passado ileso por todo aquele mar de som... Mas é claro que esses dois pontos não retiram, nem obnubilam, o brilhantismo do espetáculo!

No começo os músicos de suporte aos “Floyds” (Roger Waters, David Gilmour, Nick Mason e Rick Wright) entram mascarados, o que certamente confunde os espectadores. Essas máscaras estão retratadas na capa do CD e cassete. Quando aparecem os verdadeiros “Floyds” em frente à cena, a partir da segunda música, o show “vem abaixo”, de tanta emoção. The Wall foi uma visão de Roger Waters. Um documento autobiográfico. Roger trouxe à consciência esse desejo, logo depois do espetáculo final da turnê Animals, de 1977, no Estádio Olímpico de Montreal, no dia 6 de julho. Nesse dia, os fogos de artifício tomaram conta do estádio, e uma bomba estourou bem em frente ao palco, quando Roger cantava a balada Pigs On The Wing. O susto do cantor associado ao temor do fato e a indignação de que o público não estaria interessado em suas letras fez que com que Roger parasse o show e, num rompante de raiva, cuspisse num dos fans que gritava incessantemente! Este fato surreallista fez com que Roger se desse conta que ambientes intimistas seriam mais adequados para apresentações de shows de Rock.

David Gilmour, em entrevista concedida à Radio WZLX de Boston, afirma que Roger sempre se preocupou em saber se os espectadores estavam conseguindo escutar suas letras, carro chefe de suas obras. Nick Mason não apenas confirma essa afirmação, mas indica que essa preocupação era mais de Roger mesmo, pois a preocupação dos outros integrantes da banda era com a parte musical em primeira instância, e teatral, subsequentemente. Mas como mentor intelectual dos álbuns conceituais da banda e possuidor de uma personalidade forte, Roger acabava por impor as suas vontades… Entretanto, representar The Wall foi o estopim de um processo interno que o incomodava muito. Na verdade, pode-se dizer que a partir dessa turnê Roger se conscientizou, definitivamente, de que ele nunca mais gostaria de se apresentar em grandes estádios. Segundo ele próprio, “isso é uma contradição! A cada vez que se quer aproximar-se do público [em um movimento de direção mais intimista], os grandes estádios nos colocam em palcos cada vez mais afastados do público, estimulando apenas uma idolatria e não uma conscientização e uma apreciação crítica do espetáculo”. Rick Wright, que enfrentava problemas pessoais muito sérios, tinha uma influência muito limitada na banda. Esses problemas ocasionaram sua saída, oportunamente.


Foram situações como essa que acabo de descrever que, de certa forma, contaram para o impedimento do lançamento desse material, anteriormente. Devemos, contudo, agradecer a Harry, filho de Roger, por tê-lo convencido a concordar com esse lançamento, alegando que existe um mercado importante de pessoas interessadas em performances ao vivo (Harry coleciona os shows da banda Phish). Thanks Harry, you was great!!!

Bem, depois de apresentar essa série de informações e opiniões pessoais, cabe comentar o lançamento propriamente dito, não acham? Eheheh

O CD foi lançado em duas versões: uma edição limitada e uma edição regular. A edição limitada é um long box onde se destaca um livro de capa dura que apresenta fotos inéditas, informações gerais e ainda entrevistas. Na edição regular encontra-se dois livretos como se fosse uma síntese das informações contidas na primeira. Os discos são os mesmos, embora a definição da imagem no disco feito na Inglaterra seja de melhor qualidade do que a impressão americana.

Honestamente, eu aconselho a compra da edição limitada apenas para fans mais dedicados. Fans ocasionais deveriam, ao menos essa é a minha opinião, optar pela edição regular*, ela é mais econômica e traz um resumo das melhores imagens e informações. A versão em cassete, embora bem interessante, eu desaconselho pois o cuidadoso trabalho de remasterização é melhor sentido na versão em CD. Mas é claro que para as coleções especializadas, esta é uma peça que não pode faltar.

Concluindo, conhecedores ou não, fans ou não, colecionadores ou não, o The Wall Live veio para ocupar um espaço importantíssimo na história oficial do Rock, na história dos espetáculos ao vivo! O Rock-Teatro “The Wall Live” não é apenas um espetáculo ao vivo, é uma perfeita sincronia entre música (rock) e representação teatral, onde a falta de um interfere na presença do outro! Portanto, esperemos agora o próximo passo: o lançamento da versão The Wall Live em vídeo, para que possamos nos deliciar plenamente.

Roger, eu daria tudo para assistir em vídeo o teu sapateado em frente a mais de 70 mil pessoas, em Dortmund (Alemanha), apenas para ocupar os cinco minutos que faltaram para finalizar a construção do Muro... Tuas atitudes criativas são mesmo um show à parte! Por MB

Shine On,

Disc 1: 1. Master of Ceremonies 2. In the Flesh? 3. The Thin Ice 4. Another Brick in the Wall, Pt. 1 5. The Happiest Days of Our Lives 6. Another Brick in the Wall, Pt. 2 7. Mother 8. Goodbye Blue Sky 9. Empty Spaces 10. What Shall We Do Now? 11. Young Lust 12. One of My Turns 13. Don't Leave Me Now 14. Another Brick in the Wall, Pt. 3 15. The Last Few Bricks 16. Goodbye Cruel World Disc 2: 1. Hey You 2. Is There Anybody Out There? 3. Nobody Home 4. Vera 5. Bring the Boys Back Home 6. Comfortably Numb 7. The Show Must Go On 8. Master of Ceremonies 9. In the Flesh 10. Run Like Hell 11. Waiting for the Worms 12. Stop 13. The Trial 14. Outside the Wall

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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

M. Ward - Hold Time

Hold Time
Merge
folk
2009



Depois de uma muito bem sucedida aventura com a actriz/cantora Zooey Deschanel na dupla She & Him, M. Ward regressa aos discos de originais com um desafio principal: de provar a consistência de um disco como Post-War e de pelo menos estar à altura das expectativas. Mais vale dizê-lo já: o objectivo foi alcançado, porque Hold Time é muito provavelmente o melhor disco que este norte-americano lançou até aos dias de hoje. De forma despretensiosa e simples (parece quase fácil nas suas mãos), M. Ward conseguiu um conjunto de canções onde tudo faz para que se possa reflectir a lustrosa paisagem musical americana.

As canções estão diferentes, no entanto. Há mais luz neste disco, há mais esperança nas entrelinhas ainda que M. Ward se possa estar a debater com temas perecíveis e circunspectos. O melhor exemplo disso, para além da inicial “For Begginers”, só pode ser “Rave On”, com a participação da encantadora Zooey Deschanel: uma canção intemporal, de sol a bater na cara, com a dose certa de saudosismo para não fazer transbordar o copo. Estão aqui todas as boas razões para perseguir o trabalho de M. Ward nos próximos tempos: os arranjos, o texto, a profundidade, a largura musical, a América em suspenso.

Hold Time segue uma toada serena e paisagista mas admite interferências declaradamente rock: “Never Had Nobody Like You”, também com Zooey Deschanel, resvala para guitarras proeminentes e pianos cabaréticos, algum feedback e muita atitude. Mas o disco pertence à sua qualidade acústica, à delicadeza das guitarras não eléctricas e à candura ou pelo menos a algo intermédio: “Jailbird” é enternecedora na sua fragilidade, “Fisher Of Men” perde-se de amores entre violinos e sofre um contágio melodioso admirável. Mas mais do que valer por uma ou duas canções separadamente, Hold Time vale pelo seu conjunto, pela sua coesão. É, sem sombra para dúvidas, um dos melhores discos de canções que 2009 verá até ao final dos seus dias. Por André Gomes

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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Nena - 99 Luftballons

99 Luftballons
rock
sony
1984



99 luftballons,lançada em 83 na alemanha, venceu barreiras como grito de protesto a guerra fria ("a guerra começou meninos, o presidente esta chamando"). #1 em várias rádios européias, chegou no ano seguinte aos estados unidos atigindo o topo das paradas. 99 luftballons ganhou nova roupagem na versão em english como 99 red ballons resultado de...digamos, problemas tecnicos na tradução que, de fato, acabou tirando o foco de outras beldades como let me be your pirate e just a dream o que acabou rotulando nena, a alemã de suvaco peludo, como one hit wonder.

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domingo, 15 de novembro de 2009

Portishead - Third

Third
trip hop / alternative
mercury
2008



Há mais de dez anos os fãs do puro trip hop aguardam a volta da banda inglesa, referência no estilo, e vão continuar esperando. Portishead abre 2008 com um álbum completamente diferente do que vinha fazendo desde 1991. Tudo bem que o próprio trip modificou-se com o passar das águas; adquiriu brasilidade com Smoke City, contagiou-se pelo tango do Gotan Project, pelo house de Moloko e, não indo tão longe, o breakbeat do Massive Attack. Mas, em se tratando de experiências novas, nada se compara a Third.

Ele já chega assustando. Como assim aquele cara citando em português, brasileiro mesmo, um dogma na introdução de Silence?! "Esteja alerta para as regras dos três: o que você dá voltará para você. Esta lição você tem que aprender. Você só ganha o que você merece". Música que a princípio se chamaria "Wicca", não à toa, pois esta é a Lei Tríplice anunciando o quão pagão será o resto do álbum. Exótico esse negócio de português, mas bem que poderia ter sido dito em alguma língua mais próxima da cultura celta.

Tirando isso, é um dos álbuns mais coerentes que já ouvi. Perturbador, angustiante e mórbido do começo ao fim. Permeia pelas faixas do álbum a sensação de uma narrativa no inverno de um cinza denso, muito bem cantado pela melancolia feminina de Beth Gibbons. Voz esta que nos faz lembrar que o que estamos ouvindo é de fato Portishead.

A maior surpresa do álbum foi com certeza a primeira escolhida como single, Machine Gun, com um peso na bateria eletrônica digno do industrial mais noise e o hipinotismo repetitivo de bater a cabeça na parede. O que reafirma a vontade da banda de perder a carinha single de propaganda adiquirida com a eterna Glory Box (música de Dummy, álbum de 1994).

Pouco melodiosas, as músicas sobrepõem harmonias mas sem buscar picos muito altos de progressão, esta fica por conta do esgotamento que as repetições causam. Em The Rip, por exemplo, as mesmas notas dedilhadas no violão são sintetizadas com pouca variação na tonalidade e a música morre sem ter mudado de frase. E assim são todas, geniais fraseados de pura psicodelia sombria, se me permitem o paradoxo.

Mas nem só de elementos eletrônicos é temperado o álbum, pelo contrário, um violoncelo quase uníssono chora em Small e as percussões ritualísticas de Nylon Smile nos projetam pra um ambiente gótico assim como em We Carry On, onde não só a bateria e a guitarra mas também a forma como Beth canta lembram muito a Siouxsie, com ou sem The Banshees.

Outra insanidade do álbum é o folk acústico ao bandolim de Deep Watter com direito a coro masculino em segunda voz "I'm drifting in deep water/ Alone with my self doubting again/ I try to not to struggle this time/ For I will weather the storm(...)" diz a letra e me lembrou o suicídio de Virginia Woolf.

É preciso coração forte e uma dose de um bom wisky pra agüentar o tranco. E é irresistível não falar em metáforas simbolistas ao ouvir esse álbum; Third toca fundo e pouco racionalismo é capaz de explicá-lo.

Bauhaus deveria ter ensaiado melhor sua volta ou escolhido outra data pois não tenho dúvidas que ficará ofuscado por Third na escolha do melhor álbum do ano. Por Agatha Barbosa

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sábado, 14 de novembro de 2009

Empire of The Sun - Walking on a Dream

Walking on a Dream
eletropop
Astralwerks
2009



duo australiano que fez eletropop com sobras este ano. em tempos de hi-tech na música contemporãnea, o que torna a disputa acirrada entre este tipo de som, a estreia do empire of the sun com walking on a dream(mixado em 2008 e lançado este ano) veio após algum mistério sobre o nome da dupla luke steele e nick littlemore, talvez deva-se creditar ao market ou vaidade do duo. descobri a banda naquele marasmo de ficar trocando de canal sem fixar em nada, até encontrar o clipe de "standing on the shore" e seus bons riffs de guitarra e batidas eletronicas. a faixa título "walking on a dream" traz uma boa combinação da voz de stelle e littlemore com um baixo bem acentuado, algo tipo daft punk. o som de violão que abre "we are the people" e a bucólica instrumental "country" afirma que nem só de sintetizadores sobrevive a banda. ao julgar pela capa, até parece jogo de video game ou filme fantasia "sessão da tarde", mas a mistureba pop futurista do empire of the sun pega pelo coreto e mesmo que não agrade 100%, consegue desviar do celebre "deseja excluir este arquivo?" e se segurar firme no HD.

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1. Standing On The Shore 2. Walking On A Dream 3. Half Mast 4. We Are The People 5. Delta Bay 6. Country 7. The World 8. Swordfish Hotkiss Nite 9. Tiger By My Side 10. Without You

domingo, 8 de novembro de 2009

ARIZONA AMP and ALTERNATOR - arizona amp and alternator

arizona amp and alternator
folk/country
Thrill
2005



howe gelb (do ótimo'sno angel like you)andou ocupado no deserto. juntou um bando de conspiradores seus onde consta m.ward, henriette sennenvalt, jeremy gara (the arcade fire) e fizeram um folk-country que envoca johnny cash, tamanho grandeza lírica embora apresente uma estrutura instrumental simples, digna de uma pureza esquelética, mas que são suficiente para tornar belo historias deprimentes como o dueto com henriette sennenvalt, em "man on a string" ou no uso do alternador de frequência na fantástica "bottom of the barrel" que brilha como david gilmour em "wish were here" tamanha magnitude e alcance emocional. arizona amp and alternator não tem compromisso comercial. sendo assim, pouco importa se peca pela repetição ou falta dela, mais do que isso, é um disco para quem gosta do folk, do country, da simplicidade aparente, mas que na textura lírica valem mais que mil intrumentos eletrônicos juntos.

01 Velvet and Pearl [with kent olsen]
02 Where the Wind Turns the Skin to Leather [with marie frank + kent olsen, nicolai land, jørgen holmegaard, søren koch, thøger t lund]
03 AAAA (1) [with tom larkins]
04 Low Spark of High Heeled Boys [with grandaddy]
05 Man on a String [with henriette sennenvalt]
06 Bottom of the Barrel [with grandaddy-all vocals by howe]
07 AAAA (2)
08 Can Do Girl [with tom larkins]
09 Blue Blue Marble Girl [with marie frank]
10 Baby It's Cold Outside [with maria lorette friis + john parish]
11 Re-Entry [with tom larkins, neil harry + nathan sabatino]
12 Loretta and the Insect World [with marie frank + kent olsen, nicolai land, jørgen holmegaard, søren koch, thøger t lund]
13 AAAA (3) [with m. ward]
14 Talula and the Last Straw [with grandaddy]
15 Vows [with tom larkins]
16 AAAA (4) [with tom larkins, neil harry + nathan sabatino]
17 Recital [with scout niblett]
18 The Leaving You [with jeremy gara]



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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Rafael Castro - Raiz

Raiz
independente
2009



Composto, produzido e lançado em paralelo com o álbum O Estatuto do Tabagista, sendo o contraponto deste, Raiz é onde Rafael Castro canta como um humilde seresteiro, em canções que trazem em seus temas algumas insígneas tipicamente roceiras. Embaladas ao som de violões, violas e instrumentos improvisados, convida a se sentarem ao pé do coreto as pessoas que acabaram de sair da capela.

01 Banco na Calçada 02 Fazenda 03 Cerca 04 Linha 10 05 Não Reclama, Isabel
06 Rurais 07 Cantor

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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Ben Kweller - Changing Horses

Changig Horses
country
Atos
2009



Novo Changing Horses, de Ben Kweller, é de uma beleza folk rustica fascinante. O cd começa com "Gypsy Rose" e seus poéticos versos. De um folk intimista, muito mais focado ao country, a faixa é apaixonante. Seu vocal mais soado e o violão com dedilhado e slides nos fazem lembrar de Neal Young e com isso convida o seu autor e a todos a ouvirem o restante do cd bastante impolgado. Em "Hurtin’ You" Ben peca pelo excesso de slides, o que de fato se repete por todo o álbum deixando a obra um tanto repetitiva. "Ballad of Wendy Baker" e "Homeward Bound", mostra que até de falsetes, Ben se monta para fazer você se emocionar com belíssimas letras e muitas doses de solidão. A produção, vale frisar, é impecável, até a ordem das faixas foi miraculosmente pensada. A trinca animada de "Wantin’ Her Again", "Things I Like To Do" e "On Her Own" faz esse autor, já meio baleado da viagem sonora, se sentir nas estradas da vida, naquele carro conversível que viu no filme dos anos 80 com uma bela moça ao lado e o mundo correndo em minhas mãos no volante da Infinite Highway. Por Marcos Xi

1. Gypsy Rose 2. Old Hat 3. Fight 4. Hurtin' You 5. Ballad of Wendy Baker 6. Sawdust Man 7. Wantin' Her Again 8. Things i Like To Do 9. On Her Own 10. Homeward Bound

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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Juliette & The Licks - Like a Bolt of Lightning EP

Like a Bolt of Lightning EP
rock alternative / punk
Fiddler Records
2005



EP de estreia da atriz juliette lewis que antecede o álbum "your speaking my language". por que eu posto discos dela? like a bolt of lightning na verdade não seria o estilo de música que me agrada e, especialmente, por não ter o perfil do blog, pois like a bolt of lightning tem batidas fortes e riffs de guitarras que soam como green day. porém, ela desperta em mim um sentimento sem-vergonha que talvez floreça do seu jeito innocence em filmes como 'assassinos por natureza', 'cabo do medo'(este rendeu Oscar) ou 'um drink no inferno'. seu estilo agressivo no palco, algo punk mesmo - há quem classifique como rock de garagem - é puro sexo selvagem quando grita "yeeeees" e geme daquele jeito medonho vestindo somente calcinha em performace sem menor pudor. ah! juliette lewis, por que posto teus discos?

1. Shelter Your Needs 2. Comin' Around 3. Got Love To Kill 4. 20 Year Old Lover
5. American Boy 6. Get Your Tongue Wet

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domingo, 1 de novembro de 2009

Okkervil River - The stand Ins

The stand Ins
country / folk /indie
Jagjaguwar
2008



Se você ainda não conhece o trabalho do Okkervil River, não sabe o que está perdendo. A banda formada em 2008, em Austin no Texas vive em estado de mutação. Entram novos membros, com novos instrumentos, saem outros e as idéias vão sendo renovadas. A única coisa que parece ser constante no trabalho dos texanos é a qualidade de suas músicas.

The Stands Ins é o segundo disco do grupo por uma grande gravadora. Este trabalho funciona como uma seqüência de The Stage Names, lançado em 2007. O que impressiona nas criações deste conjunto é a riqueza sonora que eles conseguem criar, sem soar como uma superprodução.

Um dos principais problemas que afeta a nova geração do rock mundial é que em alguns momentos todos tentam soar como a mesma coisa. Este mal não aflige o Okkervil. Eles são tipicamente americanos e em alguns momentos até soam como legítimos rednecks. Mas este é um ponto a favor da sonoridade de The Stands Ins.

Cada harmonia pertence ao seu habitat natural, como se você tivesse viajado até Austin e estivesse participando de uma daquelas feiras tipicamente americana, regada a música, cachorro quente e suco de groselha. “Lost Coastlines” e “Singer Songwriter” mostram claramente a influência caipira que o Okkervil conserva. Eles são felizes nesta mistura de uma maneira que o Kings of Leon sempre quis ser, mas acabou exagerando na fórmula.

Seria possível continuar escrevendo sobre este lançamento através de um viés técnico, apenas para comprovar como ele é bom. No entanto, este tipo de análise é injusto porque não consegue capturar a maior qualidade do Okkervil River. Eles fazem canções para serem sentidas. As letras apresentam uma profundidade sentimental que apenas a voz de Will Sheff seria capaz de capturar, dando a entonação certa para cada uma daquelas palavras expresse o mundo para aqueles que conseguem sentí-las.

“Starry stairs”, assim como “On tour with Zykos” e “Bruce Wayne Campbell Interview” demonstram esta faceta sentimental. Quando aparecem, as linhas compostas pelos instrumentos de sopro parecem conspirar contra um cantor apaixonado que tenta esconder sua paixão, fingindo que cada um de seus pensamentos não são direcionados para a pessoa amada. “Here is goodbye, from the part that stays behind” canta Sheff, na tentativa de separar a si mesmo da imagem de sua alma gêmea. O sentimento imposto em cada canção inunda o coração do ouvinte que sente como se cada palavra, cada dedilhar de corda, cada batida de bateria fosse dedicada especialmente para ele.

Uma das canções mais divertidas do disco, “Pop lie” brinca com a possibilidade de cada canção conter uma verdade. Os amantes da música tendem a eleger as faixas com as quais mais se identificam e as cantam com uma devoção que transforma cada linha em uma realidade. Mas afinal o quão real é cada uma dessas canções? O que o Okkervil ensina é que no fundo nada disso importa, desde que cada um de nós possa usar o poder da música para seguir em frente.

The Stands Ins promete aproximar ainda mais aqueles que já admiravam o Okkervil River e também deve conseguir angariar uma nova safra de fãs preparados para se apaixonar pelas músicas, e fazer de cada uma delas uma parte de si mesmo. Enquanto muitas bandas continuam com a sua missão de fazer sucesso, tudo o que os rapazes do Texas parecem ter em mente é conseguir fazer com que as pessoas parem por alguns minutos apenas para colocar o foco em seus sentimentos. Por Lidiana de Moraes

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